{"id":1363,"date":"2020-02-08T09:46:56","date_gmt":"2020-02-08T09:46:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ageaeditora.com\/?p=1363"},"modified":"2020-02-08T09:46:56","modified_gmt":"2020-02-08T09:46:56","slug":"nomes-partes-da-espada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/2020\/02\/08\/nomes-partes-da-espada\/","title":{"rendered":"Alguns nomes hist\u00f3ricos em galego\/portugu\u00eas para as partes da espada"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1363\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pt\" title=\"Galego-Portugu\u00eas\">Galego-Portugu\u00eas<\/a>.<\/p><p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Diniz F. Cabreira<br \/>\n<a href=\"http:\/\/artedocombate.gal\/\">Arte do Combate<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/es\/\">AGEA Editora<\/a><br \/>\nAtualizado a 20200207<\/p>\n<h1><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h1>\n<p>Com frequ\u00eancia ao estudar diferentes tradi\u00e7\u00f5es de HEMA utilizamos termos emprestados de outros idiomas. Muitas vezes esses termos s\u00e3o flutuantes e mudam dependendo da fonte que estejamos a ler. Muitas vezes o campo lexical resultante \u00e9 mistura de termos novos e antigos, espec\u00edficos da nossa arte e emprestados, pr\u00f3prios \u00e0 nossa l\u00edngua e estrangeiros.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico e normal que seja assim nos est\u00e1gios de pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o, mas na hora de assentar uma pr\u00e1tica regular e, especificamente, na hora de ministrar aulas a pessoas que talvez nunca v\u00e3o ler as fontes acho importante ter uma terminologia consistente. Ainda mais: acho importante caminharmos para o consenso de utilizar uma terminologia comum no \u00e2mbito lus\u00f3fono, visando facilitar a m\u00fatua compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Penso que na procura dessa terminologia devemos recorrer \u00e0s fontes t\u00e9cnicas mais antigas que temos dispon\u00edveis. Estou a falar do amplo corpus terminol\u00f3gico dos tratados da Verdadeira Destreza e da Destreza Comum escritos em Portugal nos S.XVI &#8211; XVIII. Nesses textos \u2014 e, talvez, em textos publicados contemporaneamente, como dicion\u00e1rios \u2014 vamos encontrar uma esgrima no seu apogeu, e portanto a maioria dos t\u00e9rminos aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p>Desde o S.XVIII veremos um decl\u00ednio nas escolas ib\u00e9ricas de esgrima que vai trazer a incorpora\u00e7\u00e3o de armas, estilos e vocabul\u00e1rio for\u00e2neo (como se pode ver na quest\u00e3o \u00abfolha\u00bb\/*\u00abl\u00e2mina\u00bb).<\/p>\n<p>Seria interessante contar com fontes anteriores ao XVI para a terminologia que utilizar no estudo de armas anteriores a esta \u00e9poca (a espada a duas m\u00e3os e uma m\u00e3o, etc), mas n\u00e3o me consta documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica anterior ao S.XVI, excep\u00e7\u00e3o feita do pouco material recolhido no <i>Bem Cavalgar<\/i> \u2014 que por completude consultei tamb\u00e9m em procura de termos, embora fale das espadas muito levemente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fica pendente, para um artigo futuro que com certeza complementar\u00e1 este, uma revis\u00e3o em detalhe de todas as ocorr\u00eancias do termo \u00abespada\u00bb, e os termos a ela associados, no vast\u00edssimo <i>Vocabul\u00e1rio<\/i> de Bluteau.<\/p>\n<p>Portanto, compre sinalar que este \u00e9 um trabalho incompleto. Se tens conhecimento de termos adicionais, ou duma outra fonte lus\u00f3fona anterior ao S.XVI, ou de qualquer outra refer\u00eancia relevante, agrade\u00e7o<a href=\"http:\/\/nureyne.artedocombate.gal\/contact\/\"> contactes comigo<\/a> (<a href=\"http:\/\/artedocombate.gal\/\">diniz@artedocombate.gal<\/a>). Se descobres, nas fontes que j\u00e1 estudei, nova terminologia que n\u00e3o recolho c\u00e1, agrade\u00e7o tamb\u00e9m me informares, para atualizar o documento (mudan\u00e7as que ficar\u00e3o tamb\u00e9m indicadas nele).<\/p>\n<h2><b>Metodologia<\/b><\/h2>\n<p>Os termos apresentados foram tirados do material portugu\u00eas publicado pela<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/\"> AGEA Editora<\/a> at\u00e9 a data, que consiste em obras dos S.XVII &#8211; XVIII.<\/p>\n<p>Como suplemento, utilizei o Vocabulario portuguez e latino de Raphael Bluteau, publicado nos in\u00edcios do S.XVIII, para prover uma defini\u00e7\u00e3o de cada termo (quando houver). N\u00e3o se trata dum texto espec\u00edficamente t\u00e9cnico, mas \u00e9 contempor\u00e2neo aos \u00faltimos textos da nossa amostra.<\/p>\n<p>Os <b>negritos<\/b> nas cita\u00e7\u00f5es dos textos (para destacar os termos) s\u00e3o meus.<\/p>\n<p>Algumas cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o abreviadas com [&#8230;] quando h\u00e1 trechos n\u00e3o relevantes. Nas tiradas do <i>Vocabul\u00e1rio<\/i>, para os termos poliss\u00eamicos apenas apresento os significados e usos relativos \u00e0 espada.<\/p>\n<p>Ao longo deste artigo utilizo o asterisco anteposto (v.g. *l\u00e2mina) para indicar palavras erradas, modernismos ou termos dos que n\u00e3o tenho documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>No final do artigo tens as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas das obras citadas, com links para a compra ou consulta.<\/p>\n<h2><b>Resumo do campo lexical<\/b><\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1364 size-large\" src=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada-1024x804.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"804\" srcset=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada-1024x804.png 1024w, https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada-600x471.png 600w, https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada-300x236.png 300w, https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada-768x603.png 768w, https:\/\/agea.campusconexion.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/roupeira-partes-espada.png 1458w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<h2><b>Refer\u00eancias<\/b><\/h2>\n<h3><b><i>Espada<\/i><\/b><\/h3>\n<p>\u00c9 o termo utilizado em toda a literatura t\u00e9cnica para referir o que na atualidade chamamos de \u00abespada roupeira\u00bb (<i>rapier<\/i> em ingl\u00eas ou franc\u00eas, <i>ropera <\/i>em espanhol). Como sucede noutras fontes de outras \u00e9pocas, em cada momento hist\u00f3rico a espada socialmente dominante \u00e9 chamada, simplesmente, de \u00abespada\u00bb.<\/p>\n<p>A espada vem definida no <i>Vocabul\u00e1rio Portuguez e Latino<\/i> de Raphael de Bluteau como:<\/p>\n<blockquote><p><b>ESPADA<\/b>: Arma offensiva, composta de huma <b>folha<\/b> de ferro, que tem <b>fio<\/b> &amp; <b>ponta<\/b>, <b>guarni\u00e7\u00e3o<\/b>, <b>punhos<\/b>, <b>copo<\/b>, <b>virotes<\/b>, <b>guardam\u00e3o<\/b>, <b>ma\u00e7\u00e3a<\/b> &amp; se traz na cinta. [&#8230;] [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<p>Vejamos os termos detalhados no seu contexto.<\/p>\n<h3><b><i>Ma\u00e7\u00e3 ou pomo, cabo, folha, ponta<\/i><\/b><\/h3>\n<p>Um trecho da <i>Oplosophia<\/i> re\u00fane v\u00e1rios destes elementos:<\/p>\n<blockquote><p>Serve tambem para examinar qualquer <b>espada<\/b>, se est\u00e1 no pezo bem repartida, e se s\u00e3o os <b>cabos<\/b> justamente proporcionados \u00e0 <b>folha<\/b>, pondosse por fiel sobre h\u0169 dedo neste numero, a que como he come\u00e7ando da <b>ma\u00e7am<\/b> o segundo alicoto ao de dez, e sua quinta parte, mostra que as quatro daly para a <b>ponta<\/b> h\u00e3o de pezar igualmente o que esta s\u00f3, assi como igualmente fazem b todas o numero Denario, e se a espada ficar por nivel estar\u00e1 bem repartida, e quando n\u00e3o tanto mais ou menos pezar para qualquer dos lados, tanto ter\u00e1 de falta ou de demazia. [Oplosophia, f.(11)r]<\/p>\n<p>Tambem se deve conhecer que todas as estocadas que se arm\u00e3o sobre o bra\u00e7o dereyto nacem do fim do talhos; e do revezes todas as que se arm\u00e3o sobre o bra\u00e7o esquerdo, e dos revezes tambem todas as que se quizerem formar com a <b>ma\u00e7am<\/b> no hombro dereyto. [Memorial]<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Pomo<\/b> (sin\u00f3nimo de \u00abma\u00e7\u00e3\u00bb &#8211;etimologicamente prov\u00e9m do franc\u00eas <i>pomme<\/i>, \u00abma\u00e7\u00e3\u00bb):<\/p>\n<blockquote><p>Tem o numero de dez que ultimamente como remate desta perfeyta agradua\u00e7\u00e3o sinala o <b>pomo<\/b> da espada&#8230; [Oplosophia, f.(11)r]<\/p><\/blockquote>\n<p>Ma\u00e7\u00e3 aparece, com tudo, com maior frequ\u00eancia que pomo utilizado para esta parte da arma. Em efeito, o Vocabul\u00e1rio traz os significados e usos assim:<\/p>\n<blockquote><p><b>MA\u00c7\u00c3A<\/b>: pomo vulgar. <b><i>ma\u00e7\u00e3a<\/i><\/b><i> da espada<\/i>, a cabe\u00e7a onde se embebe, e prende o espig\u00e3o da folha. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p>\n<p><b>POMO<\/b>: toda a sorte de ma\u00e7\u00e3as, peros, camoezes. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<p>Quanto ao resto:<\/p>\n<blockquote><p><b>CABO<\/b>: pe\u00e7a de madeira, marfim, metal e outras materias em que se embebe o espig\u00e3o de algum instrumento, e polo qual se pega v.g. <i>cabo da faca, da navalha<\/i>; e assim a parte de outros instrumentos, que se empunha v.g.,, <i>o <\/i><b><i>cabo<\/i><\/b><i> da espada<\/i>. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p>\n<p><b>PONTA<\/b>: extremidade aguda v.g.,, <b><i>ponta da espada<\/i><\/b><i>, da agulha, do dardo, pique, piramide, lan\u00e7a; do dedo, estaca, penedo, cepa, do arado, da lingua<\/i>. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<h3><b>Folha versus l\u00e2mina, forte e fraco<\/b><\/h3>\n<p>\u00abL\u00e2mina\u00bb, termo atualmente usado em Portugal e no Brasil, ganha for\u00e7a nos \u00faltimos s\u00e9culos provavelmente como galicismo, por <i>l\u00e0me<\/i>. O termo hist\u00f3rico mais usado parece ser \u00abfolha\u00bb at\u00e9 fins do S.XIX. Manuel Valle Ortiz, da AGEA Editora, identificou o ponto de transi\u00e7\u00e3o entre um e outro termo na literatura t\u00e9cnica (repare-se nas datas).<\/p>\n<blockquote><p><b>Forte<\/b> e <b>fraco<\/b> de uma espada s\u00e3o respectivamente: o forte a parte da <b>folha<\/b> que vai desde o punho at\u00e9 aos dois ter\u00e7os\u2026 [<i>Soares<\/i>, <b>1883<\/b>, p.9].<\/p>\n<p>Florete \u00e9 uma arma exclusivamente destinada ao ensino da esgrima de ponta. Comp\u00f5e-se de duas partes: <b>lamina<\/b> e punho. A lamina divide-se em forte e fraco.\u00bb [<i>Martins<\/i>, <b>1895,<\/b> p.13].<\/p><\/blockquote>\n<p>Os textos do nosso corpus costumam utilizar \u00abfolha\u00bb:<\/p>\n<blockquote><p>Os palmos sa\u00f5 seis da ponta ate a ma\u00e7am com que vem a ficar a <b>folha<\/b> com a marca ordinaria de cinco e meio\u2026 [<i>Oplosophia<\/i>, f.(11)v]<\/p>\n<p>&#8230;ou pegarlhe de sima para bayxo na mesma guarni\u00e7\u00e3o com movimento natural e n\u00e3o importa que fique a <b>folha<\/b> para h\u0169, ou outro lado\u2026 [<i>Oplosophia<\/i>, f.(77)v]<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 apenas um par de refer\u00eancias a \u00abl\u00e2mina\u00bb em <i>Oplosophia<\/i>:<\/p>\n<blockquote><p>H\u00e9 buril vossa pena, que a descreve \/ Na <b>lamina<\/b> immortal da vossa Espada. [<i>Oplosophia<\/i>, f.(7)v]<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta primeira pertence a um dos sonetos da dedicat\u00f3ria do livro (n\u00e3o ao corpo escrito por Figueiredo) e\u00a0 parece uma refer\u00eancia art\u00edstica: o buril trabalha a l\u00e2mina de metal para as gravuras, e quem escreveu os versos pretendeu refor\u00e7ar essa imagem chamando \u00e0 folha da espada por l\u00e2mina.<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;por ser o Bra\u00e7al muyto apparatoso, e forte; E ou se componha de varias <b>laminas<\/b> de a\u00e7o, ou de h\u0169a s\u00f3, seu officio h\u00e8 reparar, des viar, rebatter, atalhar, e ferir. [&#8230;]<\/p>\n<p>Quando o Bra\u00e7al fizer companhia a espada branca, se deve situar com o punho junto \u00e0 guarni\u00e7\u00e3o, e estendido o bra\u00e7o o que permitirem as <b>laminas<\/b>&#8230; [<i>Oplosophia<\/i>, f.(45)v]<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta segunda tem interesse, por quanto o termo l\u00e2mina \u00e9 usado num contexto marcial e t\u00e9cnico por Figueiredo, mas com clareza n\u00e3o para referir a folha da espada (como sim faz noutros trechos) sen\u00e3o as l\u00e2minas de metal que formam uma pe\u00e7a de armadura para proteger m\u00e3o e\/ou bra\u00e7o.<\/p>\n<p>O Vocabul\u00e1rio utiliza \u00abl\u00e2mina\u00bb para definir \u00abfolha\u00bb, e ao inv\u00e9s. Por\u00e9m, o uso de \u00abl\u00e2mina\u00bb por espada aparece marcado como figurativo (o tudo pela parte), enquanto a folha \u00e9 especificamente a parte da espada:<\/p>\n<blockquote><p><b>LAMINA<\/b>: folha, chapa de metal. \u00a7 f. Espada, ou arma offensiva, ou defensiva feita de laminas de ferro v.g. <i>tira a lamina fulgente da bainha<\/i>.<\/p>\n<p><b>FOLHA<\/b>: [&#8230;] A lamina delgada, longa da espada. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<p>Quanto \u00e0s partes da folha:<\/p>\n<blockquote><p>Entra tambem a adaga com a espada conhecendolhe as <b>partes fracas<\/b>, e a <b>cantidade forte<\/b>, indo sempre unida a seu mesmo centro sem o mudar; e applicada a<b>o fraco da espada<\/b>, pondo nos movimentos o corpo onde com ella se fizer angulo&#8230; [<i>Oplosophia<\/i> f.42r]<\/p>\n<p>Adaga tem a mesma calidade do <b>forte<\/b> de h\u0169a espada. [<i>Oplosophia<\/i> f.79v]<\/p>\n<p>Tomar\u00e1, ou ganhar\u00e1 o Destro a espada com o <b>forte<\/b> no <b>fraco<\/b>&#8230; [<i>Oplosophia<\/i> f.83v]<\/p>\n<p><i>A <\/i><b><i>for\u00e7a<\/i><\/b><i> da efpada<\/i>. O que vai do meyo da efpada para a guarni\u00e7a\u00f5.<\/p>\n<p><i>O <\/i><b><i>fraco<\/i><\/b><i> da efpada<\/i>. O que vai do meyo delia para aponta. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<h3><b><i>Champa<\/i><\/b><\/h3>\n<p>Este termo n\u00e3o aparece no corpus da AGEA Editora, mas sim no quase contempor\u00e2neo <i>Vocabul\u00e1rio<\/i>.<\/p>\n<blockquote><p><b>CHAMPA.<\/b> Da Espada. A parte da espada, que he chata. Dar a alguem de champa. [<i>Vocabulario<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<h3><b><i>Fio, gume, verdadeiro, falso<\/i><\/b><\/h3>\n<p>\u00abFio\u00bb \u00e9 muito mais frequente que \u00abgume\u00bb na bibliografia, embora este \u00faltimo aparece documentado e seja de uso mais frequente na Galiza na actualidade.<\/p>\n<blockquote><p>E dali se tirar\u00e1 para dar h\u0169 revez cortanto por detras com o outro <b>gume<\/b> do Montante&#8230; [Memorial]<\/p>\n<p>&#8230;advertindo que todos estes desvios de revez se fazem com o <b>fio falso<\/b>. [Memorial]<\/p>\n<p>H\u00e1 geralmente na espada <b>dous fios<\/b> h\u0169 <b>natural<\/b> que he o que mais de ordinario corta e repara, e outro a que os Destros cham\u00e3o <b>fio falso<\/b>, [que h\u0169 e outro sem artificio tomar\u00e3o os nomes da natureza de seus efeitos: ao natural chamou Marozzo a fio direyto, por ser o que mais direytamente offende e defende, Barboza <b>fio verdadeyro<\/b>, por ser o mais certo, e pronto para os golpes, e ao fio falso, <b>fio violento<\/b>&#8230; [Oplosophia, f.20r]<\/p><\/blockquote>\n<p>O \u00abfio *direito\u00bb atribu\u00eddo a Marozzo acho que podemos considerar decalque ou estrangeirismo. \u00abFio natural\u00bb seria sin\u00f3nimo de \u00abfio verdadeiro\u00bb, bem como \u00abfio violento\u00bb de \u00abfio falso\u00bb, e parece ter origem na descri\u00e7\u00e3o de movimentos utilizada na Verdadeira Destreza: os movimentos naturais s\u00e3o descendentes e os movimentos violentos ascendentes.<\/p>\n<blockquote><p><b>FIO<\/b>. Por\u00e7\u00e3o de metal ductil, adelga\u00e7ado pela fieira. [&#8230;] O <b>gume<\/b>, corte da espada, navalha, faca; e <i>dar fio<\/i>, amolar bem. [<i>Vocabulario<\/i>]<\/p>\n<p><b>FIO<\/b> da espada. A extremidade da folha da espada, donde por ser mais delgada, &amp; ter mais a\u00e7o, corta melhor. [<i>Vocabulario<\/i>]<\/p>\n<p><b>GUME<\/b>, a parte do instrumento que corta v.g.,, o <b>gume<\/b> da faca, <b>da espada<\/b>, do machado, o fio oposto a <i>cota<\/i>. H. Pinto., <i>ferro boto sem gume<\/i>. \u00a7 <i>Dar de gume<\/i> (opposto a <i>dar de ponta<\/i>, <i>de cota<\/i> ou <i>de chapa<\/i>) i.e. com a parte afiada. [<i>Vocabulario<\/i>]<\/p>\n<p><b>GUME<\/b> da espada, ou de outro ferro. [<i>Vocabulario<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<h3><b><i>Guarni\u00e7\u00e3o, virotes, cruz<\/i><\/b><\/h3>\n<p>\u00abGuarni\u00e7\u00e3o\u00bb parece referida ao conjunto da defesa da m\u00e3o, que no contexto do XVII pode ser (em termos modernos) de *an\u00e9is, de <b>conchas<\/b> ou de *ta\u00e7a\/*copo.<\/p>\n<blockquote><p>Para de pensado se tirar a espada com a for\u00e7a artificiosa hase de pegar na <b>goarni\u00e7\u00e3o<\/b> desta maneira: pegou na concha que corresponde a parte de dentro do contrario; e o dedo ao que vulgarmente se diz pollegar, se poem quasi o arrimado ao <b>virote<\/b> inferior, na concha que diz respeito a parte de fora, desta sorte fica o virote entre este dedo e o yndes, que he o mais vizinho a elle; e o dedo auricular que he o que com\u0169mente se diz mindinho ou meminho fica na concha de dentro encostado ao virote superior: e neste caso partisipe a m\u00e3o do extremo de unhas ariba, porque desta maneyra posta se pode volver athe chegar unhas abaixo, e pela disposi\u00e7\u00e3o em que estara a do contrario que sera quasi unhas ariba, em ras\u00e3o de a ter serrada com a impunhadura, e ja dado meya volta com que sera mais facil ao destro fazer com que acabe de voltar, aplicando for\u00e7a na sua m\u00e3o esquerda virandoa athe participar do extremo de unhas abaixo, e antes que acabe de dar a volta sentira o contrario os dedos e nervos t\u00e3o oprimidos que ou ha de cargar a espada ou sofrer que se lhe desconjuntem os ossos do bra\u00e7o. [<i>Marte<\/i>, 125v]<\/p>\n<p><b>GUARNI\u00c7\u00c3O<\/b>: <b>Guarni\u00e7\u00e3o<\/b> da espada. S\u00e3o os copos, punho &amp; cruz. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p>\n<p><b>VIROTE<\/b>: <b>Virotes<\/b> da espada, o ferro atravessado sobre os copos, e que sobeja por fora delles. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<p>A cruz \u00e9 o onde os virotes cruzam a espada; ponto de transi\u00e7\u00e3o entre guarni\u00e7\u00e3o e a folha. Por extens\u00e3o, a parte imediatamente anterior no forte da espada.<\/p>\n<blockquote><p>\u2026 [a] <b>cruz<\/b> da espada he fraco para ferir e forte para reparar&#8230; [<i>Oplosophia<\/i> f.(11)v]<\/p><\/blockquote>\n<h3><b><i>Conchas, Copos, Guarda-M\u00e3o<\/i><\/b><\/h3>\n<blockquote><p>Para de pensado se tirar a espada com a for\u00e7a artificiosa hase de pegar na goarni\u00e7\u00e3o desta maneira: pegou na <b>concha<\/b> que corresponde a parte de dentro do contrario\u2026 [<i>Marte<\/i>, 125v]<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00abConcha\u00bb s\u00f3 aparece no <i>Li\u00e7\u00f5es de Marte<\/i>. O <i>Vocabul\u00e1rio<\/i> n\u00e3o recolhe este significado.<\/p>\n<p>\u00abCopo\u00bb ou \u00abcopos\u00bb, referido \u00e0 parte da espada que protege a m\u00e3o, n\u00e3o aparece em nenhum livro do corpus. \u00c9 listado, por\u00e9m, no <i>Vocabul\u00e1rio<\/i>:<\/p>\n<blockquote><p><b>GUARDA-M\u00c3O<\/b>: O arco que nasce dos <b>copos<\/b> da espada e termina na <b>ma\u00e7\u00e3<\/b>. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<p>A\u00ed aparece tamb\u00e9m refer\u00eancia ao \u00abguarda-m\u00e3o\u00bb que n\u00e3o vemos no corpus tampouco.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma refer\u00eancia aos copos do bast\u00e3o do mestre em <i>Oplosophia<\/i>, mas semelha referir-se a pontas ferradas para o mesmo.<\/p>\n<h3><b><i>Espiga, Espig\u00e3o<\/i><\/b><\/h3>\n<blockquote><p><b>ESPIGA<\/b>, s.f.: A por\u00e7\u00e3o delgada e aguda das facas, e espadas, que se enxire, e encrava nos cabos, copos, e manchis. [<i>Vocabul\u00e1rio<\/i>]<\/p><\/blockquote>\n<h2><b>Bibliografia<\/b><\/h2>\n<h3><b><i>Prim\u00e1ria<\/i><\/b><\/h3>\n<ul>\n<li>[Bem Cavalgar]: Duarte de Aviz, <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/c1lealconselheir00duar\"><i>Leal conselheiro, e Livro da ensinan\u00e7a de bem cavalgar toda sella<\/i><\/a><\/li>\n<li>[Coimbra]: V\u00e1rios,<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/livros\/destreza-das-armas\/\"> <i>Destreza das Armas<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2016.<\/li>\n<li>[Godinho]: Luis Godinho,<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/livros\/arte-de-esgrima\/\"> <i>Arte de Esgrima<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2015.<\/li>\n<li>[Memorial]: Diogo Gomes de Figueiredo,<a href=\"http:\/\/wiktenauer.com\/wiki\/Memorial_Da_Prattica_do_Montante_(MS_49.III.20.n%C2%BA.21)\"> <i>Memorial da Prattica do Montante<\/i><\/a><\/li>\n<li>[Manuscrito]: An\u00f4nimo,<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/livros\/manuscrito-da-espada\/\"> <i>Manuscrito da Espada<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2013.<\/li>\n<li>[Marte]: An\u00f3nimo,<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/livros\/licoes-de-marte\/\"> <i>Li\u00e7\u00f5es de Marte<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2014.<\/li>\n<li>[Martins]: Martins, Antonio Domingos Pinto. <i>Manual de esgrima<\/i>. Lisboa: Antonio Maria Pereira, 1895<\/li>\n<li>[Oplosophia]: Diogo Gomes de Figueiredo,<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/livros\/oplosophia-e-verdadeira-destreza-das-armas\/\"> <i>Oplosophia e Verdadeira Destreza das Armas<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2013.<\/li>\n<li>[Soares]: Soares, Francisco Adolfo Celestino. <i>Esgrima ornada con 10 gravuras<\/i>. Lisboa: Corazzi, 1883<\/li>\n<li>[Thomas Luiz]: Thomas Luis, <a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/es\/livros\/licoes-da-espada-preta-2ed\/\"><i>Tratado das Li\u00e7\u00f5es da Espada Preta<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2017.<\/li>\n<\/ul>\n<h3><b><i>Secund\u00e1ria<\/i><\/b><\/h3>\n<ul>\n<li>[Usos]:<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/2016\/09\/16\/dandis-pomposos-e-briguentos-usos-e-costumes-nas-salas-de-armas-ibericas-dos-s-xvi-e-xvii\/\"> <i>D\u00e2ndis, pomposos e briguentos: usos e costumes nas salas de armas ib\u00e9ricas\u00a0 dos s. XVI e XVII<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2016.<\/li>\n<li>[Vocabulario]:<a href=\"http:\/\/purl.pt\/13969\"> <i>Raphael Bluteau, Vocabulario portuguez e latino<\/i><\/a>. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712-1728.<\/li>\n<li>[Priberam]:<a href=\"https:\/\/www.priberam.pt\/dlpo\/\"> <i>Dicion\u00e1rio Priberam da L\u00edngua Portuguesa<\/i><\/a>. Lisboa: Priberam Inform\u00e1tica, 2017.<\/li>\n<li>[Valle]: Manuel Valle,<a href=\"https:\/\/agea.campusconexion.com\/livros\/nueva-bibliografia-de-la-antigua-esgrima-y-destreza-de-las-armas\/\"> <i>Nueva bibliograf\u00eda de la antigua esgrima y destreza de las armas<\/i><\/a>. Compostela: AGEA Editora, 2012.<\/li>\n<\/ul>\n<h2><b>Hist\u00f3rico de mudan\u00e7as<\/b><\/h2>\n<p>2017: primeiro rascunho.<\/p>\n<p>20200208: edi\u00e7\u00e3o e primeira publica\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in Galego-Portugu\u00eas. Diniz F. Cabreira Arte do Combate AGEA Editora Atualizado a 20200207 Introdu\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1364,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[2,5,6,10],"tags":[],"class_list":["post-1363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agea-documentos","category-destreza-comum","category-destreza-portuguesa","category-verdadeira-destreza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agea.campusconexion.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}